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Notícias/POLÍTICA23/10/2026· Local

Vorcaro encomendou WHISKY de R$ 500 mil para dar a Lula

O ex-banqueiro Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, mandou procurar no exterior uma garrafa de uísque avaliada em cerca de R$ 500 mil para presentear o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), segundo reportagem da revista Veja publicada nesta quinta-feira (22). O caso do uísque de Vorcaro tem como base mensagens extraídas pela Polícia Federal (PF) do celular do empresário, apreendido nas investigações sobre o Master.

O Palácio do Planalto nega que Lula tenha recebido qualquer presente do banqueiro.

Como foi a encomenda do uísque de Vorcaro

De acordo com a revista, em 29 de outubro de 2024, Vorcaro pediu a um assistente que localizasse uma garrafa do escocês Macallan 1945. A safra não teria sido escolhida por acaso: 1945 é o ano de nascimento de Lula, que completa 81 anos na próxima terça-feira (27).

“Preciso dar pro Lula”, escreveu o banqueiro, segundo as mensagens.

Horas depois, o funcionário enviou a foto de uma garrafa oferecida por mais de 80 mil euros, o equivalente a cerca de R$ 500 mil na época. Ele também observou que o rótulo não estava em perfeito estado. Vorcaro aprovou a compra com um “tá ótimo”. Segundo a reportagem, a bebida seria levada de Dubai para o Brasil.

As mensagens divulgadas mostram a encomenda e a aprovação do preço. Até a publicação desta reportagem, não havia comprovação de que essa garrafa específica tenha sido comprada e entregue ao presidente.

Advogado disse que Lula agradeceu pelo uísque

A existência de um uísque de Vorcaro destinado a Lula já era conhecida desde setembro. A novidade da Veja são o valor e os detalhes da compra.

Em mensagem de 22 de janeiro de 2025, o advogado Walfrido Warde, que então defendia Vorcaro, contou ao cliente ter estado com o presidente. Segundo ele, Lula perguntou como o banqueiro estava, agradeceu novamente pelo uísque e mandou um abraço. Vorcaro respondeu com um emoji de coração.

A conversa ocorreu 49 dias depois de Lula receber Vorcaro no Palácio do Planalto, em 4 de dezembro de 2024, em encontro fora da agenda oficial. Segundo a imprensa, a reunião foi intermediada pelo ex-ministro Guido Mantega, contratado como consultor do Master.

Em outro áudio, de março de 2025, Warde disse a Vorcaro que havia uma articulação para enfraquecer o apoio que o banqueiro teria do PT e do presidente. As mensagens, porém, não comprovam por si só que Lula tenha interferido em favor do banco.

O que dizem Lula e o Planalto sobre o uísque de R$ 500 mil

Em nota, a Secretaria de Comunicação Social da Presidência (Secom) afirma que Lula esteve com Vorcaro uma única vez, na reunião de dezembro de 2024. Segundo o órgão, também participaram Guido Mantega, o ministro Rui Costa e Gabriel Galípolo, hoje presidente do Banco Central.

Ainda segundo a Secom, Vorcaro se queixou de perseguição, e Lula respondeu que eventuais denúncias deveriam ser analisadas tecnicamente pelo Banco Central. O governo afirma que o presidente não recebeu presente, não mandou recado ao banqueiro e desconhece a articulação descrita por Warde.

Em entrevista à Band, em 27 de setembro, Lula foi questionado sobre o assunto e não confirmou nem negou ter recebido a bebida. “Se me deu uísque, já bebi”, disse. Na mesma ocasião, ele colocou em dúvida a credibilidade do advogado.

A defesa de Vorcaro informou que não vai se manifestar. Warde não respondeu aos pedidos de posicionamento.

Caso do uísque de Vorcaro surge a três dias da eleição

A revelação ocorre na reta final da campanha do segundo turno da eleição presidencial, marcado para domingo (25), entre Lula e o senador Flávio Bolsonaro. Em setembro, Flávio já havia pedido ao Supremo Tribunal Federal (STF) a abertura de investigação sobre um eventual favorecimento do Master pelo presidente.

No início de outubro, a campanha de Lula classificou outra reportagem da Veja sobre Vorcaro como peça eleitoral e acionou a Justiça Eleitoral e a PF.

Quem é Daniel Vorcaro

Vorcaro está preso desde 4 de março, por decisão do STF, no âmbito da Operação Compliance Zero. A operação apura fraudes envolvendo o Banco Master, que teve liquidação extrajudicial decretada pelo Banco Central. A PF e a Procuradoria-Geral da República (PGR) rejeitaram as propostas de delação premiada apresentadas por ele.

O caso será apurado pelas autoridades competentes. O espaço permanece aberto para manifestação dos envolvidos.

Fonte: Reprodução/CGN