
Na quarta noite de entrevistas com os candidatos à Presidência da República nas eleições 2026, a TV Globo recebeu na noite desta quinta-feira, dia 27, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), de 80 anos, que concorre à reeleição.
A conversa foi conduzida pelos jornalistas Renata Vasconcellos e César Tralli, diretamente dos Estúdios Globo, e durou cerca de 40 minutos.
A série reúne seis presidenciáveis selecionados com base nas melhores posições na pesquisa Quaest divulgada em 14 de agosto. A ordem das entrevistas foi definida por sorteio entre representantes das campanhas.
Entre os principais assuntos abordados estiveram as investigações envolvendo o filho mais velho do presidente, Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, a crise dos Correios, o escândalo envolvendo descontos indevidos no INSS, o caso Banco Master, a dívida pública, educação e segurança pública.
Investigações
Logo no início da entrevista, Lula foi questionado sobre as investigações que envolvem Lulinha. O filho do presidente é citado em três inquéritos que tramitam no Supremo Tribunal Federal (STF), relacionados a suspeitas de tráfico de influência dentro do governo.
Lula afirmou que não pretende interferir nas investigações e disse que, caso o filho tenha cometido algum crime, deverá responder à Justiça como qualquer cidadão.
O presidente também afirmou que não afastará delegados da Polícia Federal para proteger o filho e disse acreditar que Lulinha será inocentado. Segundo Lula, até o momento existem “ilações”, mas não provas concretas de corrupção ou de desvio de dinheiro público.
Sobre mensagens atribuídas à lobista Roberta Luchsinger, Lula afirmou que não a conhece e negou ter oferecido um cargo a ela. O presidente também criticou a relação entre a lobista e seu ex-chefe de gabinete, Marco Aurélio Ribeiro, conhecido como Marcola, classificando a conduta como inadequada.
Correios
A situação financeira dos Correios também foi discutida. A estatal acumula quatro anos consecutivos de prejuízos, com um rombo estimado em R$ 15 bilhões. Lula descartou a privatização e afirmou que pretende recuperar a empresa caso seja reeleito.
O presidente reconheceu que a estatal não acompanhou as mudanças no mercado de entregas e disse que a nova administração deverá promover ajustes e, se necessário, buscar parcerias com empresas brasileiras ou estrangeiras.
Escândalo do INSS
Questionado sobre o escândalo envolvendo descontos indevidos de aposentados e pensionistas do INSS, Lula afirmou que cerca de R$ 3 bilhões já foram ressarcidos.
O presidente disse que as investigações foram conduzidas pela Controladoria-Geral da União (CGU) e pela Polícia Federal e afirmou que o governo esperou reunir elementos antes de divulgar as informações para não prejudicar as apurações.
Lula também defendeu o ex-ministro da Previdência Carlos Lupi, que deixou o cargo durante o escândalo. Segundo o presidente, Lupi não foi condenado e deve aguardar o resultado das investigações.
Fila do INSS
Sobre a promessa de acabar com a fila de espera do INSS, Lula afirmou que deverá anunciar na próxima semana que o problema foi praticamente resolvido. Segundo ele, a espera, que chegou a aproximadamente 3 milhões de pessoas, deverá ficar em torno de 251 mil requerimentos, número considerado normal pelo governo.




