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HISTORY DAY

Notícias/HISTORY DAY15/10/2026· Local

33 anos sem Tião Carreiro, o rei da viola

Há 33 anos, em 15 de outubro de 1993, morria em São Paulo um dos maiores nomes da história da música sertaneja de raiz. Tião Carreiro, conhecido como Rei do Pagode e da Viola, deixou um legado que continua vivo nas vozes e nos ponteados de violeiros de diferentes gerações.

José Dias Nunes nasceu em 13 de dezembro de 1934, em Monte Azul, no norte de Minas Gerais. Ainda criança, mudou-se com a família para o interior de São Paulo, onde cresceu em meio à rotina rural. Desde cedo, demonstrava aptidão musical e aprendeu a tocar instrumentos praticamente sozinho, desenvolvendo a habilidade que se tornaria sua marca registrada.

De outros nomes artísticos ao reconhecimento nacional

Antes de se tornar conhecido como Tião Carreiro, José Dias Nunes se apresentou com diferentes nomes artísticos, entre eles Palmeirinha e Zé Mineiro. A mudança definitiva ocorreu por sugestão do compositor e produtor Teddy Vieira, que ajudou a consolidar a identidade artística pela qual ele seria reconhecido em todo o país.

Um dos encontros mais importantes de sua trajetória foi com Pardinho, com quem formou uma das duplas mais emblemáticas da música sertaneja. A combinação entre a voz grave de Tião, os arranjos e os solos de viola criou uma sonoridade característica, que diferenciou a dupla de outras formações da época.

O ritmo que transformou a viola

A contribuição mais marcante de Tião Carreiro foi o desenvolvimento do pagode de viola, estilo que combinou elementos de ritmos tradicionais da música caipira com uma maneira inovadora de executar o instrumento.

A música "Pagode em Brasília", gravada em 1960, tornou-se uma das principais referências desse estilo. Com ponteados rápidos, batidas próprias e grande domínio técnico, Tião ampliou as possibilidades da viola caipira e influenciou músicos que vieram depois dele.

Sua maneira de tocar exigia técnica e precisão. Os solos, as introduções e a combinação entre viola e violão ajudaram a construir uma identidade musical inconfundível, que transformou o artista em referência para gerações de violeiros.

Canções que marcaram gerações

A história de Tião Carreiro também é contada por meio de suas músicas. Ao lado de Pardinho e de outros parceiros, o artista gravou canções que atravessaram décadas e se tornaram parte do repertório tradicional da música sertaneja.

Entre os clássicos está "Boi Soberano", que narra a história de um boi cuja bravura salva uma família durante uma travessia. A música se tornou uma das interpretações mais emblemáticas da dupla e representa a força das narrativas presentes na cultura caipira.

"Rei do Gado" também conquistou espaço entre os grandes sucessos do gênero, com uma história que aborda as relações sociais e a vida no campo. Já "Rio de Lágrimas", conhecida também como "Rio de Piracicaba", é uma das canções mais lembradas do repertório sertanejo, marcada pela melodia e pelo sentimento de saudade.

Outro destaque é "Amargurado", que ganhou reconhecimento pela interpretação expressiva da dupla. Em "Chora Viola", o instrumento que consagrou Tião ocupa lugar central, enquanto "Terra Roxa" reforça a ligação de sua obra com a vida rural.

A lista de sucessos inclui ainda "Pagode em Brasília", "A Mão do Tempo", "A Coisa Tá Feia", "Oi Paixão", "A Vaca Já Foi pro Brejo", "O Mineiro e o Italiano", "Estrela de Ouro", "Encantos da Natureza" e "Travessia do Araguaia".

Essas gravações revelam a versatilidade do artista. Seu repertório reúne histórias bem-humoradas, narrativas sobre o cotidiano do interior, canções românticas e modas de viola que retratam costumes, paisagens e personagens brasileiros.

Uma carreira que ultrapassou os palcos

Ao longo da trajetória, Tião Carreiro trabalhou com diferentes parceiros, entre eles Carreirinho, Pardinho, Paraíso e Praiano. Com Pardinho, construiu uma parceria histórica, marcada por gravações que ajudaram a popularizar a moda de viola e o pagode sertanejo.

Sua atuação também contribuiu para levar a música caipira para além dos programas de rádio, alcançando teatros, rodeios, exposições e programas de televisão. Dessa forma, ajudou a ampliar o espaço do gênero na cultura popular brasileira.

Em 1970, Tião Carreiro e Pardinho também participaram do filme "Sertão em Festa", dirigido por Oswaldo de Oliveira, ampliando a presença da dupla para além dos discos e dos palcos.

A trajetória do violeiro foi marcada pela habilidade musical, pela personalidade reservada e pelo vínculo com os fãs. Mesmo com uma aparência séria, era lembrado por histórias bem-humoradas e pelo jeito autêntico de se relacionar com as pessoas.

A despedida e o legado

Tião Carreiro morreu aos 58 anos, em 15 de outubro de 1993, em decorrência de complicações relacionadas ao diabetes. Foi sepultado no Cemitério da Lapa, em São Paulo.

Mais de três décadas depois, sua obra permanece presente na música brasileira. O estilo inconfundível de tocar viola, a voz grave e a contribuição para a criação do pagode sertanejo mantêm o artista como uma das principais referências do sertanejo raiz.

Suas canções continuam a ser regravadas e interpretadas por artistas de diferentes gerações. Os ponteados de "Pagode em Brasília", a narrativa de "Boi Soberano" e a emoção de "Rio de Lágrimas" ajudam a manter viva a memória de um músico que transformou a viola em protagonista da música popular brasileira.

A morte encerrou a trajetória de José Dias Nunes, mas não silenciou a viola de Tião Carreiro. Suas gravações continuam a aproximar gerações e a preservar uma parte importante da identidade musical do interior do Brasil.

Fonte: Antonio Mendonça/ Catve